Atualizado em 22 de julho de 2026

Poluição Informacional no ENEM 2026: deepfakes, eleições e repertório

O TSE proibiu deepfakes eleitorais em março de 2026. Entenda o que é poluição informacional, como difere de fake news e qual repertório usar na redação do ENEM.

Resumo — o que você vai aprender

  • Poluição informacional não é sinônimo de fake news: é a contaminação sistemática do ambiente informativo por deepfakes, algoritmos de amplificação e conteúdo sintético — um conceito mais amplo e mais preciso para a redação do ENEM.
  • O TSE aprovou a Resolução nº 23.755, em 2 de março de 2026, proibindo IA que crie ou altere a imagem e a voz de candidatos. Meta, TikTok, Google, X, LinkedIn, Kwai e Telegram assinaram acordos de combate à desinformação em julho de 2026.
  • O ENEM 2026 começa em 8 de novembro — duas semanas depois das eleições. Os 5.055.818 inscritos serão a geração que votou pela primeira vez antes de fazer a prova.
  • Repertório pronto: Manuel Castells ('A Sociedade em Rede', 1996), conceito de pós-verdade (Oxford Dictionary of the Year, 2016), UNESCO e OMS (infodemia, 2020), e a própria regulamentação do TSE como argumento institucional.
  • Proposta de intervenção: Congresso + TSE + MEC como agentes, legislação sobre conteúdo sintético e educação midiática como meios, proteção da democracia como finalidade.

Sete plataformas digitais — Meta, TikTok, Google, X, LinkedIn, Kwai e Telegram — assinaram acordos com o Tribunal Superior Eleitoral em julho de 2026 para combater a desinformação nas eleições. Junto a elas, três empresas de inteligência artificial — ElevenLabs, OpenAI e Anthropic — também firmaram parcerias com a Justiça Eleitoral. O problema que motivou todos esses acordos tem nome técnico: poluição informacional. E o candidato ao ENEM 2026 que dominar esse conceito vai entrar na prova de 8 de novembro com uma vantagem real.


Poluição informacional não é a mesma coisa que fake news

Fake news é o nome popular para uma notícia individual falsa e intencional. Você lê que um candidato disse algo que nunca disse — isso é fake news. Poluição informacional é o fenômeno maior em que essa fake news existe: a contaminação sistemática do ambiente informativo com conteúdo falso, enganoso ou manipulado em escala industrial.

A diferença importa porque, na poluição informacional, o problema não está só no conteúdo específico que é falso — está na saturação do ecossistema. A Organização Mundial da Saúde e a UNESCO cunharam o termo infodemia em 2020, durante a pandemia de COVID-19, para descrever exatamente isso: a circulação em excesso de informações verdadeiras, falsas e incertas sobre o mesmo assunto, a ponto de tornar quase impossível para o cidadão comum encontrar fontes confiáveis.

Os especialistas dividem os componentes da poluição informacional em três tipos:

TipoDefiniçãoHá intenção de enganar?
MisinformaçãoInformação falsa espalhada sem intençãoNão
DesinformaçãoInformação falsa espalhada deliberadamenteSim
MalinformaçãoInformação verdadeira usada para causar danoSim

Deepfakes pertencem à segunda categoria — são desinformação em formato audiovisual: conteúdo gerado por inteligência artificial que faz parecer que uma pessoa real disse ou fez algo que nunca aconteceu. E isso muda as regras de verificação: você não pode mais "ver para crer".

O que torna os deepfakes eleitorais especialmente perigosos

Uma notícia falsa de texto pode ser desmentida com uma citação do original. Um deepfake de áudio ou vídeo cria uma "memória sensorial" — o cérebro processa imagens e vozes de forma diferente de texto e resiste a corrigi-las mesmo depois de informado. Por isso, um vídeo sintético de um candidato anunciando uma política que nunca propôs pode circular por horas ou dias antes de ser desmentido — e o desmentido raramente alcança tantas pessoas quanto o original.


Deepfakes nas eleições de 2026: o que o TSE regulamentou

Em 2 de março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a Resolução nº 23.755, que vedou expressamente "a divulgação ou o compartilhamento de conteúdo sintético gerado ou manipulado por inteligência artificial que crie, substitua ou altere a imagem ou a voz de pessoas para favorecer ou prejudicar candidaturas".

A resolução de 2026 foi construída sobre a base da Resolução nº 23.732/2024, que já havia proibido deepfakes eleitorais e exigido a identificação de conteúdo gerado por IA. Em 2026, as regras foram reforçadas — e o TSE passou a exigir que as próprias plataformas fossem parceiras ativas no combate.

Os acordos de julho de 2026

Os acordos firmados em julho de 2026 com Meta, TikTok, Google, X, LinkedIn, Kwai e Telegram, além das empresas de IA ElevenLabs, OpenAI e Anthropic, estabelecem compromissos de cooperação para remover conteúdo identificado como deepfake eleitoral, desenvolver ferramentas de detecção e compartilhar dados sobre conteúdo manipulado com a Justiça Eleitoral.

Para a redação do ENEM, essa informação serve em dois momentos: como evidência de que o problema é reconhecido institucionalmente no Brasil — o que fortalece o diagnóstico — e como base para a proposta de intervenção, ao mostrar que o Estado já iniciou uma resposta, mas ela pode ser aprofundada.

O fator temporal: eleições em outubro, ENEM em novembro

As eleições gerais de 2026 acontecem em outubro. O ENEM começa em 8 de novembro. Os 5.055.818 inscritos no ENEM 2026 — um aumento de 5,08% em relação aos 4.811.338 de 2025, segundo a Agência Brasil — são, em grande parte, jovens que votarão pela primeira vez antes de fazer a prova. Essa coincidência não passa despercebida pela banca: o ENEM já foi duas semanas depois das eleições antes, e a escolha de tema reflete o contexto que os candidatos vivem.


Por que esse tema tem alta probabilidade no ENEM 2026

O INEP constrói temas de redação a partir de eixos da Matriz de Referência e de acontecimentos que impactam os jovens brasileiros. Poluição informacional e deepfakes eleitorais conectam três eixos prioritários: tecnologia e sociedade, democracia e cidadania e direitos humanos.

Dois padrões históricos apontam para esse recorte:

  • Em 2018, o tema foi "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet" — no mesmo ano do escândalo Cambridge Analytica e da aprovação da LGPD. A banca cobrou tecnologia e poder sobre o cidadão.
  • Em 2022, o tema foi "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil" — contexto de eleições, identidade e cidadania. A banca usou o ano eleitoral como pano de fundo temático.

Deepfakes eleitorais em 2026 reúne os dois padrões: tecnologia como ameaça a um direito (votar conscientemente) em um ano eleitoral. Dificilmente um tema concentraria mais fatores favoráveis.


Repertório sociocultural: quatro referências prontas

Manuel Castells: quem controla a rede controla o poder

Manuel Castells publicou A Sociedade em Rede em 1996 como o primeiro volume de sua trilogia A Era da Informação. A tese central é que o poder nas sociedades contemporâneas é exercido por quem controla as redes de comunicação — não apenas quem fala, mas quem decide o que circula, como circula e quem chega a ver.

Aplicado à poluição informacional: produzir deepfakes e ter acesso a algoritmos de amplificação é uma forma de capturar esse poder de maneira ilegítima. O cidadão-eleitor não controla o que vê antes de votar — e isso compromete sua autonomia de escolha.

Como usar: "Segundo o sociólogo Manuel Castells, em A Sociedade em Rede (1996), o poder contemporâneo é exercido por quem controla os fluxos de informação — e deepfakes eleitorais são uma forma de capturar esse poder de modo ilegítimo, substituindo o debate público pela manipulação perceptual."

A pós-verdade: o ambiente onde deepfakes prosperam

Em 2016, o Oxford English Dictionary elegeu "pós-verdade" (post-truth) a palavra do ano, descrevendo circunstâncias em que fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais. Deepfakes são a versão audiovisual da pós-verdade: não precisam convencer com argumentos — basta que sejam verossímeis por tempo suficiente para circular e criar impressão.

Como usar: "Inserida no ambiente de pós-verdade diagnosticado pelo Oxford English Dictionary em 2016, a proliferação de deepfakes eleitorais não apenas dissemina conteúdo falso — ela corrói a capacidade do cidadão de confiar em qualquer evidência visual, agravando a crise de credibilidade das instituições democráticas."

UNESCO, OMS e o direito à informação de qualidade

A UNESCO e a Organização Mundial da Saúde cunharam o conceito de infodemia em 2020 para descrever a saturação informativa que paralisa a tomada de decisão. Aplicado às eleições: quando deepfakes e desinformação saturam o ambiente, o cidadão perde a capacidade de distinguir o que é real — e o voto deixa de ser conscientemente informado.

A UNESCO defende que o acesso à informação de qualidade é um direito humano fundamental, reconhecido no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e que a educação midiática é a resposta estrutural para enfrentar a poluição informacional.

Como usar: "Segundo a UNESCO, o direito à informação confiável — reconhecido no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos — é comprometido quando a infodemia eleitoral impede o eleitor de distinguir fatos reais de conteúdo sintético, transformando o próprio ato de votar em uma decisão potencialmente manipulada."

A regulamentação do TSE como repertório institucional

Usar a própria legislação brasileira como repertório demonstra ao corretor familiaridade com o contexto jurídico-institucional do país. A Resolução nº 23.755/2026 e os acordos de julho com sete plataformas mostram que o Estado já reconheceu o problema — o que fortalece tanto o diagnóstico quanto a proposta de intervenção ao ancorá-la em iniciativas concretas já existentes.


Como estruturar a proposta de intervenção

A proposta de intervenção do ENEM precisa ter cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e efeito. Um modelo para esse tema:

O Congresso Nacional, em parceria com o TSE e o Ministério da Educação, deve regulamentar o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais e incluir a educação midiática como componente curricular obrigatório no ensino médio, por meio de legislação específica sobre rotulagem de conteúdo sintético e de políticas públicas de letramento digital, a fim de garantir a integridade do processo eleitoral e o direito do cidadão à informação confiável, gerando um eleitorado mais resiliente à manipulação e uma democracia mais resistente à poluição informacional.

Cada elemento é verificável: o agente tem competência constitucional para agir; a ação é concreta e dupla (regulamentação + educação); o meio é viável; a finalidade conecta ao argumento desenvolvido no texto; o efeito é o horizonte normativo que a redação defende.


Um modelo de tese para começar

A tese deve apresentar o problema e anunciar os argumentos do texto. Um ponto de partida:

"A proliferação de deepfakes nas eleições de 2026 representa uma forma crítica de poluição informacional que, ao comprometer a percepção da realidade pelo eleitor, ameaça dois pilares da democracia brasileira: o direito ao voto conscientemente informado e o acesso a informações que não foram fabricadas por algoritmos."

Dessa tese derivam dois argumentos naturais: (1) o mecanismo pelo qual deepfakes comprometem a autonomia do eleitor; (2) a insuficiência das respostas regulatórias atuais — base para a proposta de intervenção que fecha o texto.


Com as eleições em outubro e o ENEM em novembro, praticar redações que conectam tecnologia e democracia é investimento duplo. O corretor de redação do ENEM Guru avalia sua redação nas 5 competências do INEP e aponta exatamente onde a proposta de intervenção está incompleta — o ciclo de prática mais eficiente para esse momento da preparação.

Perguntas frequentes

O que é poluição informacional e como explicar na redação do ENEM?

Poluição informacional é a contaminação do ambiente informativo com conteúdo falso, manipulado ou enganoso em escala industrial — incluindo deepfakes, notícias fabricadas e conteúdo amplificado por algoritmos. Vai além da fake news individual porque trata o ecossistema de informação como um todo: quando a poluição é suficiente, a confiança pública colapsa mesmo sem que o cidadão acredite em nenhuma notícia específica. Na redação do ENEM, use o conceito como diagnóstico do problema antes de apresentar sua proposta.

O que é deepfake e como usar na redação do ENEM?

Deepfake é conteúdo audiovisual gerado ou manipulado por inteligência artificial para fazer parecer que uma pessoa real disse ou fez algo que não aconteceu. A palavra combina 'deep learning' (o método de IA) e 'fake' (falso). Na redação, use deepfake como exemplo concreto de poluição informacional: um vídeo com a voz ou o rosto sintéticos de um candidato pode circular por milhões de pessoas antes de qualquer remoção, comprometendo o direito à informação em uma democracia.

O TSE proibiu deepfakes nas eleições de 2026?

Sim. O Tribunal Superior Eleitoral aprovou a Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026, vedando a divulgação de conteúdo gerado ou manipulado por IA que crie, substitua ou altere a imagem ou a voz de pessoas para favorecer ou prejudicar candidaturas. Em julho de 2026, o TSE firmou parcerias com Meta, TikTok, Google, X, LinkedIn, Kwai e Telegram, além das empresas de IA ElevenLabs, OpenAI e Anthropic, para ampliar o combate à desinformação eleitoral.

Poluição informacional já caiu no ENEM?

Não com esse nome, mas o ENEM já abordou temas relacionados. Em 2018, o tema foi 'Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet' — um recorte de privacidade e vigilância digital. Deepfakes eleitorais como ameaça específica à democracia ainda não foram cobrados. A proximidade entre as eleições de outubro e o ENEM de novembro de 2026 torna o tema especialmente provável nesta edição.

Manuel Castells pode ser usado como repertório nessa redação?

Sim, e é um dos repertórios mais valorizados pelas bancas. Manuel Castells, em 'A Sociedade em Rede' (1996), demonstrou que o poder nas sociedades contemporâneas é exercido por quem controla as redes de comunicação. Aplicado ao tema: quem produz deepfakes e domina algoritmos de amplificação exerce poder sobre a percepção pública — o que compromete a autonomia do eleitor.

O que é infodemia e como usar como repertório?

Infodemia é a circulação em excesso de informações — verdadeiras, falsas e incertas — sobre um mesmo assunto, a ponto de dificultar que as pessoas encontrem fontes confiáveis. O conceito foi cunhado pela OMS e pela UNESCO em 2020, durante a pandemia. Para a redação sobre poluição informacional, a infodemia mostra que o problema não é só a existência de deepfakes, mas a saturação que torna a verificação quase impossível para o cidadão comum.

Como montar a proposta de intervenção para o tema de deepfakes e eleições?

Agente: o Congresso Nacional, em parceria com o TSE e o MEC. Ação: aprovar legislação sobre rotulagem obrigatória de conteúdo sintético E incluir educação midiática como componente curricular no ensino médio. Meio: regulamentação técnica e políticas públicas de letramento digital. Finalidade: garantir a integridade do processo eleitoral e o direito à informação confiável. Efeito: eleitor mais preparado para identificar manipulações e democracia mais resiliente.

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Realismo e Naturalismo dominam Linguagens no ENEM. Veja Machado de Assis, O Cortiço de Aluísio Azevedo e como resolver qualquer excerto desse período.