Atualizado em 25 de junho de 2026

Insegurança alimentar na redação do ENEM 2026: dados e repertório

54,7 milhões de brasileiros em insegurança alimentar em 2024, segundo o IBGE. Dados da PNAD, LOSAN, Josué de Castro e proposta de intervenção para o ENEM 2026.

Resumo — o que você vai aprender

  • Segundo o módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua 2024 do IBGE, 54,7 milhões de brasileiros conviviam com insegurança alimentar — 24,2% dos domicílios —, num país que é um dos maiores produtores agrícolas do planeta.
  • As regiões Norte (37,7%) e Nordeste (34,8%) concentram as maiores taxas de insegurança alimentar, com o grau grave atingindo 6,3% e 4,8% dos domicílios nessas regiões — desigualdade que reflete décadas de subinvestimento público.
  • A alimentação é direito social constitucional desde a Emenda Constitucional nº 64/2010 (art. 6º da CF); a LOSAN (Lei 11.346/2006) cria o DHAA e impõe ao Estado obrigação ativa de garantir acesso à alimentação adequada.
  • O médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro, em *Geografia da Fome* (1946), demonstrou que a fome não é fatalidade geográfica mas 'patologia social' — referência histórica perfeita para a Competência 2 do ENEM.
  • A proposta de intervenção nota 1000 ancora-se na LOSAN e no ODS 2 da ONU: ampliação do PAA e de transferência de renda no Norte e Nordeste pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

54,7 milhões de brasileiros — mais pessoas do que vivem em toda a Argentina — conviviam com insegurança alimentar em 2024, segundo o módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua 2024, divulgado pelo IBGE em outubro de 2025. Isso acontece num país que exporta soja, carne, café e açúcar para o mundo inteiro — um dos maiores produtores agrícolas do planeta. A fome no Brasil não é ausência de comida. É ausência de acesso. É, como o médico e geógrafo pernambucano Josué de Castro já demonstrava em Geografia da Fome (1946), uma patologia social — resultado de estruturas políticas e econômicas, não de destino geográfico. E é exatamente esse tipo de contradição que o INEP transforma em tema de redação.

Por que insegurança alimentar é candidato forte para o ENEM 2026

O INEP tem um padrão reconhecível na escolha dos temas: combina problema social com impacto documentado sobre grupos vulneráveis, âncora legislativa e possibilidade de proposta pública concreta. Insegurança alimentar atende aos três critérios — com sobras.

Lei existe. A Emenda Constitucional nº 64, de 4 de fevereiro de 2010, incluiu a alimentação no rol de direitos sociais do art. 6º da Constituição Federal, ao lado de educação, saúde, moradia e trabalho. Antes disso, a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional — LOSAN (Lei 11.346/2006) havia criado o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e reconhecido formalmente o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) como obrigação ativa do Estado. Não basta não impedir o acesso — o Estado tem dever de promover as condições para que todos tenham acesso regular, de qualidade e em quantidade suficiente. A moldura legal está pronta há décadas. Falta a realidade alcançar o texto da lei.

Dados recentes e verificáveis. A PNAD Contínua 2024 do IBGE mostrou progresso real — mas também a dimensão do que ainda falta. Com números atuais, o tema não é passado: é vivo, urgente e quantificável.

Recorte por raça e região presente. Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de insegurança alimentar; pretos e pardos aparecem de forma desproporcional nos dados — exatamente o tipo de argumento que a Competência 2 valoriza.

Tema inédito como centro da redação. O ENEM nunca usou insegurança alimentar como tema central nas últimas edições, o que o torna candidato legítimo para novembro de 2026.


Os dados que você precisa dominar

Repertório estatístico fortalece a Competência 2. Estes são os dados verificados do módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua 2024 (IBGE):

Indicador20232024
Domicílios com alguma insegurança alimentar27,6%24,2%
Insegurança alimentar leve18,2%16,4%
Insegurança alimentar moderada5,3%4,5%
Insegurança alimentar grave4,1%3,2%

Em números absolutos: 18,9 milhões de domicílios em algum grau de insegurança alimentar em 2024. Em pessoas: 54,7 milhões de brasileiros — uma queda de 2,2 milhões de lares em relação a 2023. Progresso real, mas insuficiente para resolver o paradoxo de um dos maiores países produtores agrícolas do mundo.

O mapa da desigualdade regional:

RegiãoInsegurança alimentar totalInsegurança grave
Norte37,7%6,3%
Nordeste34,8%4,8%
Brasil (média nacional)24,2%3,2%

A região Norte tem taxa de insegurança alimentar 55% acima da média nacional. Esse desequilíbrio não é acaso: replica o mapa do saneamento básico, da mortalidade infantil e do analfabetismo — indicadores que tendem a coincidir porque têm a mesma causa raiz: décadas de subinvestimento público e exclusão estrutural.

O recorte racial: A PNAD Contínua documenta que pretos e pardos representam proporção maior entre os domicílios em situação de insegurança alimentar do que na população geral — desigualdade que não é coincidência, mas produto de estruturas históricas de exclusão.


Josué de Castro: a fome como questão política

Para a Competência 2, você precisa de referências que interpretam o problema — não apenas que o descrevem. A mais importante para este tema, e uma das mais respeitadas na tradição intelectual brasileira, é Josué de Castro (1908–1973).

Castro foi médico, geógrafo, professor e escritor nascido em Recife. Em 1946, publicou Geografia da Fome, obra que seria traduzida para dezenas de idiomas e que o projetou como referência internacional no debate sobre alimentação e desigualdade. A tese central do livro subvertia o pensamento dominante da época: até os anos 1940, a fome no Brasil era explicada como destino geográfico — consequência do clima tropical, da "natureza" nordestina ou da suposta "indolência" do povo. Castro provou o contrário.

A fome, argumentou, é uma "patologia social": ela não resulta da escassez natural de alimentos, mas de estruturas políticas e econômicas — concentração fundiária, desigualdade de renda, ausência de políticas de abastecimento — que mantêm populações excluídas do acesso, mesmo quando os alimentos existem. O Brasil que exportava alimentos nos anos 1940 enquanto o Nordeste passava fome era a prova viva da tese.

Oitenta anos depois, os dados do IBGE confirmam que a análise de Castro permanece atual: o Brasil que é um dos maiores produtores agrícolas do mundo ainda registrava, em 2024, 54,7 milhões de pessoas em insegurança alimentar.

Como usar na redação: "O médico pernambucano Josué de Castro, em Geografia da Fome (1946), demonstrou que a fome não é fatalidade geográfica, mas uma 'patologia social' resultado de estruturas políticas e econômicas que excluem populações do acesso aos alimentos — análise que os dados atuais do IBGE confirmam."


O arcabouço legal: três referências para citar

1. Emenda Constitucional nº 64/2010 — alimentação como direito constitucional

A EC 64/2010 alterou o art. 6º da Constituição Federal para incluir a alimentação entre os direitos sociais. O texto vigente lista: "educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados." Citar a emenda e o artigo posiciona o argumento no nível constitucional — o mais alto da hierarquia jurídica brasileira.

2. LOSAN — Lei 11.346/2006

A Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional criou o SISAN e definiu o DHAA como obrigação positiva do Estado: o poder público tem dever de promover condições para que todos tenham acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais. Esse conceito de obrigação ativa é o argumento jurídico mais robusto para fundamentar a proposta de intervenção — e diferencia as dissertações de nota alta das genéricas.

3. ODS 2 da ONU — Fome Zero e Agricultura Sustentável

O segundo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas estabelece a meta de acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável até 2030. O prazo se aproxima e o Brasil ainda tem 54,7 milhões de pessoas em insegurança alimentar — o que coloca o país em contradição com os compromissos internacionais que assumiu. Esse argumento eleva o debate do plano doméstico para o internacional.


Causas: por que a insegurança alimentar persiste no Brasil?

Dissertações de nota alta na Competência 2 não descrevem o problema — encadeiam causas. Para insegurança alimentar, três eixos causais têm forte embasamento:

1. Concentração de renda e desigualdade estrutural

A insegurança alimentar é, antes de tudo, um problema de renda. Sem poder de compra suficiente, famílias não acessam alimentos de qualidade mesmo quando eles estão disponíveis no mercado. O Brasil mantém um dos índices de desigualdade de renda (Gini) mais elevados do mundo — o que significa que a abundância na produção agrícola não se converte automaticamente em acesso para todos. A fome coexiste com o agronegócio porque quem não tem renda não acessa o que o mercado produz.

2. Desigualdade regional e subinvestimento histórico

As taxas do Norte (37,7%) e do Nordeste (34,8%) revelam que a insegurança alimentar não se distribui aleatoriamente no território. Essas regiões acumulam histórico de menor investimento em infraestrutura, saúde, educação e mercado de trabalho formal — o que resulta em vulnerabilidade alimentar como parte de um ciclo mais amplo de exclusão. A desigualdade regional não é fatalidade geográfica: é produto de décadas de políticas de investimento que privilegiaram as regiões Sul e Sudeste.

3. Desigualdade racial

A insegurança alimentar no Brasil tem cor. A PNAD Contínua documenta que pretos e pardos são desproporcionalmente representados entre os domicílios em insegurança alimentar. O jurista Silvio Almeida, em Racismo Estrutural (2019), define racismo não como ato individual isolado, mas como processo em que a estrutura social — mercado de trabalho, acesso a políticas públicas, segregação residencial — reproduz sistematicamente desvantagens para populações negras. Aplicado à fome: não há como combater a insegurança alimentar sem combater as desigualdades estruturais que a perpetuam.


Consequências: o que a insegurança alimentar produz

Comprometimento do desenvolvimento infantil

Criança com fome não aprende. A insegurança alimentar nos primeiros anos de vida compromete o desenvolvimento cognitivo, aumenta o absenteísmo escolar e reduz a capacidade de concentração. O ciclo é direto: sem alimentação adequada na infância, o desempenho educacional fica comprometido — e sem educação, a mobilidade social que poderia romper com a pobreza não acontece.

Custo para a saúde pública

Má nutrição produz doenças, que demandam o SUS, que onera o orçamento público. O custo indireto da insegurança alimentar — em internações, medicamentos e dias de trabalho perdidos — representa perda econômica para o país além do sofrimento humano. A fome não é apenas um problema humanitário: é um obstáculo ao desenvolvimento.

Impacto de gênero

Em domicílios em situação de insegurança alimentar, mulheres tendem a absorver o impacto primeiro — pulando refeições para garantir que os filhos comam. Esse padrão, documentado por organismos como FAO e UNICEF em múltiplos contextos, conecta o tema fome à desigualdade de gênero — outro eixo recorrente no ENEM.


A proposta de intervenção nota 1000

A Competência 5 exige cinco elementos explícitos: agente, ação, meio, finalidade e efeito esperado. Para insegurança alimentar, todos os elementos já estão dados pela legislação:

"O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (agente), em articulação com estados e municípios das regiões Norte e Nordeste, deve ampliar a cobertura do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de transferência de renda nessas regiões (ação), por meio da destinação de recursos específicos no Orçamento Geral da União com metas regionais anuais verificáveis (meio), a fim de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada previsto na LOSAN (Lei 11.346/2006) (finalidade), reduzindo a insegurança alimentar grave no Norte e Nordeste e avançando no cumprimento do ODS 2 da Agenda 2030 da ONU (efeito esperado)."

Cinco elementos, todos explícitos: quem (Ministério), o que (ampliar PAA e transferência de renda), como (orçamento específico com metas regionais verificáveis), por quê (DHAA, LOSAN), efeito (menos insegurança grave, avanço no ODS 2). Padrão Competência 5 nota 200.

O corretor de redação do ENEM Guru avalia cada elemento da Competência 5 individualmente — incluindo se a proposta tem agente definido, meio viável e efeito esperado explícito — e indica o que falta antes de qualquer prova real.


Referências para usar na redação

ReferênciaO que éComo usar
Josué de Castro, Geografia da Fome (1946)Médico pernambucano; fome como "patologia social", não fatalidade geográficaArgumento histórico-sociológico; Competência 2
EC 64/2010 + CF, art. 6ºAlimentação como direito social constitucionalBase jurídica máxima; citar número da emenda
LOSAN — Lei 11.346/2006DHAA e SISAN; obrigação ativa do EstadoÂncora legal para a proposta de intervenção
Silvio Almeida, Racismo Estrutural (2019)Jurista; racismo como processo estrutural, não ato individualArgumento sobre desigualdade racial na fome
ODS 2 — Agenda 2030 da ONUFome Zero até 2030; compromisso internacional do BrasilArgumento global; eleva o debate além do âmbito doméstico

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Perguntas frequentes

Insegurança alimentar pode ser tema da redação do ENEM 2026?

Sim — e tem o perfil ideal. O INEP escolhe temas que combinam problema social com impacto documentado sobre grupos vulneráveis, âncora legislativa e possibilidade de proposta pública concreta. Insegurança alimentar preenche os três: o IBGE documentou 54,7 milhões de brasileiros em insegurança alimentar em 2024 (PNAD Contínua 2024); a Emenda Constitucional nº 64/2010 incluiu alimentação como direito social no art. 6º da CF; e a LOSAN (Lei 11.346/2006) define obrigação ativa do Estado de garantir o DHAA. O tema nunca foi cobrado como tema central nas edições mais recentes do ENEM — o que o torna candidato legítimo para novembro de 2026.

O que é a LOSAN e como usar na redação do ENEM?

A Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN — Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006) criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e reconheceu o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) como obrigação do Estado. Pela LOSAN, o poder público não pode apenas 'não impedir' o acesso — tem dever ativo de promover condições para que todos tenham acesso regular, de qualidade e em quantidade suficiente. Para a redação do ENEM, a LOSAN serve como âncora para a Competência 5: a proposta de intervenção pode ser fundamentada no DHAA e no SISAN, o que dá respaldo legal direto e diferencia dissertações de nota alta das genéricas.

Quem foi Josué de Castro e o que significa 'patologia social' da fome?

Josué de Castro (1908–1973) foi médico, geógrafo e escritor pernambucano. Em *Geografia da Fome* (1946), provou que a fome no Brasil não é consequência natural do clima ou da suposta 'indolência' do povo — é resultado de estruturas políticas e econômicas que concentram riqueza e excluem populações do acesso aos alimentos. Chamou a fome de 'patologia social', invertendo a lógica dominante da época. Para a redação do ENEM, citar Castro fortalece a Competência 2 com uma referência histórica de alto prestígio acadêmico, que conecta o debate brasileiro à tradição intelectual sobre desigualdade e direito à alimentação.

Qual é a diferença entre insegurança alimentar leve, moderada e grave?

A distinção vem da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), usada pelo IBGE na PNAD Contínua. Insegurança leve: preocupação ou incerteza quanto ao acesso futuro aos alimentos, sem redução da quantidade ainda. Insegurança moderada: há redução na quantidade e qualidade dos alimentos consumidos pelos adultos do domicílio. Insegurança grave: a redução atinge também crianças e adolescentes — situação de fome real. Em 2024, a insegurança grave atingia 3,2% dos domicílios nacionais, chegando a 6,3% no Norte e 4,8% no Nordeste, segundo a PNAD Contínua 2024 do IBGE.

Como fazer a proposta de intervenção sobre insegurança alimentar no ENEM?

A Competência 5 exige cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e efeito esperado. Para insegurança alimentar: 'O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (agente), em articulação com estados e municípios das regiões Norte e Nordeste, deve ampliar a cobertura do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e de transferência de renda nessas regiões (ação), por meio da destinação de recursos específicos no Orçamento Geral da União com metas regionais anuais verificáveis (meio), a fim de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada previsto na LOSAN — Lei 11.346/2006 (finalidade), reduzindo a insegurança alimentar grave no Norte e Nordeste e avançando no cumprimento do ODS 2 da Agenda 2030 da ONU (efeito esperado).' Todos os cinco elementos explícitos e ancorados em lei.

Quais dados do IBGE usar na redação sobre fome e insegurança alimentar?

Os dados mais recentes e citáveis são do módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua 2024, divulgado pelo IBGE em outubro de 2025: 24,2% dos domicílios brasileiros em algum grau de insegurança alimentar (contra 27,6% em 2023); 18,9 milhões de domicílios afetados; 54,7 milhões de pessoas; insegurança grave em 3,2% dos domicílios nacionais, chegando a 6,3% no Norte e 4,8% no Nordeste. Citar 'segundo o módulo Segurança Alimentar da PNAD Contínua 2024 do IBGE' posiciona sua argumentação com a fonte mais autorizada sobre o tema no Brasil.

Por que a fome afeta mais negros e nordestinos no Brasil?

A desigualdade na insegurança alimentar por raça e região reflete desigualdades estruturais mais amplas. O jurista Silvio Almeida, em *Racismo Estrutural* (2019), define racismo não como ato individual isolado, mas como processo em que a estrutura social — mercado de trabalho, acesso a políticas públicas, segregação residencial — reproduz sistematicamente desvantagens para populações negras. Aplicado à fome: pretos e pardos têm menor renda média, habitam mais frequentemente áreas periféricas com menor acesso a programas sociais, e concentram-se no Norte e Nordeste, regiões com histórico de subinvestimento público. A fome não escolhe cor por coincidência — é produto de estruturas que ainda não foram desmanteladas.

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