Atualizado em 1 de junho de 2026

IA na redação do ENEM 2026: repertório completo com fontes

Repertório com fontes reais, 3 recortes de tese e proposta de intervenção prontos para escrever sobre inteligência artificial na redação do ENEM 2026.

Resumo — o que você vai aprender

  • O PL 2338/2023 — Marco Regulatório de IA no Brasil — foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e é repertório verificável e fortemente relevante.
  • Existem 3 recortes prováveis: IA e mercado de trabalho, IA e desinformação, IA e direitos fundamentais — o repertório deste guia funciona nos três.
  • Dados verificáveis: FMI (IA afetará 40% dos empregos globais), OIT (25% dos empregos expostos), IBGE (38% de informalidade no Brasil).
  • Legislação utilizável: LGPD (Art. 20 — direito de contestar decisões automatizadas), CF/88 Art. 5º e Art. 170.
  • Proposta de intervenção completa incluída — com agente, ação, meio, finalidade e efeito conforme os critérios da C5.

No dia 10 de dezembro de 2024, o Senado Federal aprovou o PL 2338/2023 — o chamado Marco Regulatório de Inteligência Artificial do Brasil — e remeteu o texto à Câmara dos Deputados. Naquele mesmo mês, três dos principais cursinhos do país colocaram "inteligência artificial" entre as apostas quentes para a redação do ENEM 2026. Não é difícil entender por quê: o INEP tende a escolher temas que tenham âncora em debate de política pública brasileira ativo, recorte social claro e impacto verificável no cotidiano. A IA cumpre os três critérios. Este guia compila o repertório que você precisa para escrever sobre esse tema com segurança — com dados verificáveis, legislação real e estruturas de argumento prontas para qualquer recorte que o INEP escolher.

Por que a IA é aposta forte para o ENEM 2026

O INEP nunca divulga os critérios de seleção de temas, mas a análise das edições anteriores revela um padrão consistente: o tema da redação quase sempre tem ancoragem em debate de política pública brasileira em curso. Em 2022, foi o tema da ciência; em 2023, saúde pública; em 2024, herança africana e povos tradicionais; em 2025, envelhecimento.

Para 2026, a inteligência artificial cumpre todos os critérios históricos:

  • Debate legislativo ativo: o PL 2338/2023 passou pelo Senado em dezembro de 2024 e está em análise na Câmara dos Deputados. É um dos projetos mais discutidos no Congresso em 2025.
  • Impacto verificável e desigual: o FMI estima que a IA afetará quase 40% dos empregos no mundo — mas os impactos se concentram nas ocupações de menor escolaridade, exatamente o recorte de desigualdade que o ENEM gosta de problematizar.
  • Inédito no ENEM: tecnologia e sociedade já apareceu em formulações gerais, mas o recorte específico de inteligência artificial e seus desdobramentos socioeconômicos nunca foi tema central.
  • Presente no cotidiano dos candidatos: estudantes do ENEM usam ferramentas de IA com frequência — o que facilita o acesso intuitivo ao tema na hora da prova.

Isso não significa que IA vai cair. Significa que é um tema para o qual vale construir repertório sólido.


Os 3 Recortes Mais Prováveis

O ENEM não cobra "inteligência artificial" de forma genérica. A banca delimita um recorte — um problema social específico associado à IA. Estes são os três com maior probabilidade, cada um com uma tese diferente:

Recorte 1 — IA e o mercado de trabalho

Possível enunciado: "Desafios para proteger trabalhadores brasileiros frente à automação impulsionada pela inteligência artificial"

Tese central: A automação por IA no Brasil aprofunda a desigualdade estrutural porque elimina postos de trabalho formal enquanto expande a informalidade digital sem proteção social adequada.

Recorte 2 — IA, desinformação e democracia

Possível enunciado: "Os desafios éticos da inteligência artificial na circulação de informações na sociedade brasileira"

Tese central: A proliferação de deepfakes e conteúdo sintético produzido por IA ameaça o processo democrático ao tornar impossível distinguir fato de simulação sem infraestrutura institucional e alfabetização midiática.

Recorte 3 — IA e direitos fundamentais

Possível enunciado: "Os limites éticos do uso de sistemas automatizados de decisão na sociedade brasileira"

Tese central: O uso de IA na concessão de crédito, na triagem de empregos e no monitoramento urbano reproduz discriminações estruturais sem garantir ao cidadão o direito de contestação, violando princípios constitucionais já positivados.


Repertório Completo com Fontes

Esta é a parte que a maioria dos guias erra: listam autores e dados sem dizer exatamente o que usar nem onde verificar. A seguir, cada item vem com o conceito específico que você aplica ao argumento e a fonte onde encontrá-lo.

Legislação brasileira

Lei / ProjetoO que estabeleceComo usar na redação
LGPD — Lei 13.709/2018Garante ao titular o direito de contestar decisões tomadas exclusivamente por sistemas automatizados (Art. 20)Argumentar que a lei existe, mas sua efetividade depende de o cidadão saber que foi afetado por um algoritmo
PL 2338/2023Classifica IA por risco (excessivo, alto, baixo/moderado); prevê sanções de até R$ 50 milhões; aprovado pelo Senado em dez/2024Evidência de que o Estado reconhece o risco — e que a regulamentação ainda está incompleta
CF/88, Art. 5º, XGarante a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagemSustentar que sistemas de reconhecimento facial e monitoramento por IA sem regulamentação infringem direito constitucional
CF/88, Art. 170Ordem econômica fundada na valorização do trabalho humanoArgumentar que a automação irrestrita contradiz o princípio constitucional de proteção ao trabalho

Dados e estatísticas verificáveis

DadoFonteComo usar
IA afetará quase 40% dos empregos no mundoFMI, 2024 (andi.org.br)Quantificar o impacto global como ponto de partida do argumento
25% dos empregos mundiais expostos à IA generativaOrganização Internacional do Trabalho (OIT), 2024Reforço de organismo internacional sobre a escala do problema
Brasil: 38% de informalidade no mercado de trabalhoIBGE, PNAD Contínua 2025Contextualizar que a população mais vulnerável já trabalha sem proteção social

Autores e pensadores

AutorObra e conceitoComo aplicar
Byung-Chul HanSociedade da Transparência (2012): na sociedade digital, tudo é exposto e quantificado — inclusive o trabalhadorArgumentar que sistemas de IA que medem desempenho e comportamento reduzem o trabalhador a dado mensurável
Shoshana ZuboffCapitalismo de Vigilância (2019): plataformas coletam comportamento humano como matéria-prima para prever e modificar açõesFundamentar que o modelo de negócios da IA é estruturalmente incompatível com privacidade individual
Hannah ArendtA Condição Humana (1958): distingue labor (trabalho repetitivo) de ação (atividade criativa irredutível a cálculo)Contra-argumento estratégico: a IA substitui labor, mas não a ação política e criativa — argumento que humaniza e equilibra a tese

Dica de uso: não cite os três ao mesmo tempo. Escolha um autor por redação e aplique o conceito com precisão. Uma citação bem integrada ao argumento vale muito mais do que três nomes jogados sem contexto — e evita a penalização por "repertório vazio" na C2.


Estrutura Completa de Argumento (Recorte 1)

Abaixo, uma estrutura desenvolvida para o recorte de IA e mercado de trabalho. Use como modelo e adapte quando o enunciado real aparecer.

Introdução:

Em 2024, o Senado Federal aprovou o primeiro Marco Regulatório de Inteligência Artificial do Brasil, reconhecendo que a tecnologia já impacta direitos fundamentais. Esse reconhecimento tardio contrasta com a velocidade do problema: segundo o FMI, a IA poderá afetar quase 40% dos empregos no mundo — e no Brasil, onde 38% dos trabalhadores já atuam na informalidade sem proteção social (IBGE, PNAD Contínua 2025), o impacto será desigual e concentrado nas camadas mais vulneráveis da população.

Desenvolvimento 1 — causa estrutural:

O mercado de trabalho brasileiro é particularmente vulnerável à automação porque combina alta informalidade com baixa escolaridade média. Trabalhadores informais — motoristas de aplicativo, operadores de telemarketing, caixas de comércio — exercem funções com alto índice de substituição por algoritmos, sem acesso a seguro-desemprego ou programas públicos de requalificação. A filósofa Hannah Arendt, em A Condição Humana, distinguiu o labor — trabalho repetitivo e mecanicamente substituível — da ação genuinamente humana. As funções que a IA elimina primeiro são exatamente as de labor; e no Brasil, elas são também as exercidas pela população de menor renda.

Desenvolvimento 2 — resposta institucional insuficiente:

A resposta do Estado existe em potencial, mas permanece fragmentada. A LGPD (Lei 13.709/2018) garante ao cidadão o direito de contestar decisões automatizadas que o afetem (Art. 20) — incluindo demissões ou exclusões de processos seletivos por algoritmos. O PL 2338/2023, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024, prevê classificação de risco para sistemas de IA e multas de até R$ 50 milhões por infração. No entanto, leis existentes não protegem quem não tem acesso à Justiça do Trabalho e frequentemente nem sabe que foi excluído por um sistema automatizado. A lacuna entre a norma escrita e sua efetividade concreta é o nó do problema.


Proposta de Intervenção Completa (C5)

"Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o SENAI e entidades sindicais representativas (agente), desenvolver um programa nacional de requalificação profissional voltado a trabalhadores em ocupações de alto risco de automação (ação), por meio de cursos técnicos híbridos de curta duração com certificação pública reconhecida pelo MEC (meio), a fim de ampliar a empregabilidade dessa população nas funções criadas pela economia digital (finalidade) — com meta de qualificar 500 mil trabalhadores até 2028, monitorada pelo Sistema Nacional de Emprego (SINE) (efeito e detalhamento)."

Esta proposta responde às 5 perguntas da C5: quem age (Ministério + SENAI + sindicatos), o que faz (programa de requalificação), como faz (cursos técnicos híbridos), para quê (ampliar empregabilidade), e qual o resultado esperado com prazo e mecanismo de controle (500 mil trabalhadores até 2028, via SINE).


Como Adaptar o Repertório para Qualquer Recorte

Você não sabe qual recorte o INEP vai escolher. A boa notícia é que o repertório deste guia funciona de forma cruzada:

RepertórioRecorte 1 — TrabalhoRecorte 2 — DesinformaçãoRecorte 3 — Direitos
LGPD + PL 2338/2023ForteMédioMuito forte
CF/88 (Art. 170)Muito forteForte
FMI + OIT (dados de emprego)Muito forteMédioMédio
Hannah ArendtForteMédioMédio
Shoshana ZuboffMédioMuito forteForte
Byung-Chul HanForteForteMuito forte

A estratégia mais eficiente não é decorar repertórios para um tema específico — é entender quais conceitos conectam à desigualdade, à proteção de direitos e ao papel do Estado. Esses três eixos aparecem em praticamente todos os temas do ENEM, incluindo IA.


Escrever sobre inteligência artificial na redação exige mais do que listar aplicativos e chatbots: exige entender o problema social por trás da tecnologia e argumentar com dados reais. O corretor de redação do ENEM Guru permite submeter uma redação sobre IA e receber feedback automático nas 5 competências — incluindo alertas para proposta incompleta e repertório sem aplicação. Pratique com os dados deste guia antes de novembro. Crie sua conta grátis em enemguru.com.br/sign-up.

Perguntas frequentes

Qual é a chance de inteligência artificial cair na redação do ENEM 2026?

Não existe como saber com certeza — o INEP nunca divulga critérios de seleção. A IA é uma aposta forte porque cumpre os padrões históricos do ENEM: tema inédito, debate de política pública ativo no Brasil (PL 2338/2023 em tramitação), impacto verificável na vida cotidiana e recorte de desigualdade social. Mas o ENEM 2025 provou que o tema pode surpreender: envelhecimento não era a aposta principal de nenhum cursinho. A estratégia certa é construir repertório sólido sobre IA e continuar estudando outros eixos em paralelo.

O PL 2338/2023 pode ser citado como repertório na redação do ENEM?

Sim. O PL 2338/2023 é o Marco Regulatório de Inteligência Artificial do Brasil, aprovado pelo Senado Federal em 10 de dezembro de 2024 e em análise na Câmara dos Deputados em 2025. Ele classifica sistemas de IA por nível de risco (excessivo, alto, baixo/moderado) e prevê sanções de até R$ 50 milhões por infração. Citar essa legislação com precisão — nome do projeto, data de aprovação no Senado, o que ela prevê — demonstra repertório sociocultural relevante e atualizado, o que a banca valoriza na Competência 2.

Como construir uma proposta de intervenção sobre IA para o ENEM?

A proposta precisa dos 5 elementos da C5: agente específico, ação concreta, meio operacionalizável, finalidade ligada ao tema e efeito com detalhamento. Para o tema de IA e mercado de trabalho, um exemplo completo: 'Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o SENAI (agente), desenvolver programa de requalificação para trabalhadores em ocupações de alto risco de automação (ação), por meio de cursos técnicos híbridos de curta duração com certificação pública (meio), a fim de ampliar a empregabilidade na economia digital (finalidade), com meta de qualificar 500 mil trabalhadores até 2028 monitorada pelo SINE (efeito)'.

Quais filósofos posso citar numa redação sobre inteligência artificial?

Três autores funcionam bem com repertório verificável: (1) Byung-Chul Han ('Sociedade da Transparência', 2012) — para argumentar que a IA transforma trabalhadores em dados; (2) Shoshana Zuboff ('Capitalismo de Vigilância', 2019) — para argumentar que o modelo de negócios das grandes plataformas é estruturalmente incompatível com privacidade; (3) Hannah Arendt ('A Condição Humana', 1958) — para argumentar que a IA pode substituir trabalho repetitivo, mas não a ação criativa e política humana. O importante é usar o conceito específico do autor, não apenas o nome.

A LGPD pode ser usada como repertório numa redação sobre IA?

Sim, e é um dos repertórios mais sólidos disponíveis. A Lei 13.709/2018 (LGPD) garante ao cidadão o direito de contestar decisões tomadas exclusivamente por algoritmos, incluindo triagem de empregos, concessão de crédito e análise de seguros (Art. 20). Esse artigo conecta diretamente ao debate sobre IA e direitos fundamentais: a lei existe, mas a efetividade depende de o trabalhador saber que foi afetado por um sistema automatizado — o que frequentemente não acontece.

O que é IA de alto risco segundo o Marco Regulatório brasileiro?

Segundo o PL 2338/2023, sistemas de IA de alto risco são aqueles que têm impacto significativo sobre direitos fundamentais ou tomam decisões que afetam de forma relevante a vida das pessoas. Exemplos incluídos: sistemas usados em recrutamento e seleção de empregos, avaliação de crédito, diagnósticos médicos auxiliados por IA e sistemas de reconhecimento facial em espaços públicos. Para esses sistemas, o projeto prevê obrigações adicionais de transparência e avaliação de impacto — que ainda precisam ser regulamentadas pela Câmara dos Deputados.

Como adaptar o repertório de IA para qualquer recorte do ENEM?

Organize o repertório por eixo, não por tema específico. LGPD e CF/88 funcionam para qualquer recorte que envolva direitos (privacidade, trabalho, discriminação). Os dados do FMI e da OIT sobre impacto no emprego funcionam no recorte de mercado de trabalho. Byung-Chul Han e Shoshana Zuboff funcionam no recorte de vigilância e desinformação. Hannah Arendt funciona em qualquer recorte que contraponha o humano ao automático. Quanto mais flexível o seu repertório, menos você depende de acertar o recorte exato.

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