Atualizado em 13 de junho de 2026

Saúde mental de adolescentes: repertório para o ENEM 2026

ENEM 2020 cobrou saúde mental, e a PeNSe 2024 do IBGE mostra por que o tema pode voltar. Veja repertório, argumentos e proposta de intervenção prontos.

Resumo — o que você vai aprender

  • Em 2020, o INEP cobrou 'O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira' — saúde mental é tema que já apareceu e pode voltar com novo recorte em 2026.
  • A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024, do IBGE, ouviu mais de 118 mil adolescentes e revelou indicadores preocupantes: cerca de 3 em cada 10 relatam tristeza frequente e quase metade sente irritabilidade constante.
  • O ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, proíbe rolagem infinita e reprodução automática de vídeos para menores — argumento legislativo forte para a Competência 2.
  • O filósofo Byung-Chul Han, em 'A Sociedade do Cansaço', explica por que a cultura de hiperdesempenho das redes sociais gera esgotamento psíquico — repertório essencial para o ângulo digital do tema.
  • Veja 3 modelos completos de proposta de intervenção, com os 5 elementos exigidos pelo INEP: agente, ação, meio, finalidade e efeito.

Em novembro de 2020, o INEP revelou o tema que milhões de candidatos teriam de dissertar: "O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira" — anunciado pela própria nota do INEP no dia da prova. Cinco anos depois, o debate não ficou mais simples — ficou mais urgente e mais carregado de dados novos.

Em março de 2026, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024, que ouviu mais de 118 mil adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas do Brasil: cerca de 3 em cada 10 jovens de 13 a 17 anos relatam tristeza frequente; quase metade afirma sentir irritabilidade ou nervosismo constante. Na mesma semana, o ECA Digital (Lei 15.211/2025) entrou em vigor — a primeira lei brasileira a proibir práticas digitais nocivas para menores, incluindo rolagem infinita e reprodução automática de vídeos.

Quando o ENEM encontra precedente histórico, dados recentes e legislação nova sobre o mesmo campo temático, costuma usá-lo. Este repertório foi montado para você chegar preparado em novembro.


Por que este tema é aposta forte para o ENEM 2026

O ENEM não anuncia o tema com antecedência — mas também não o escolhe aleatoriamente. Nas últimas edições, o exame priorizou temas com três características em comum: relevância social ampla, dados concretos verificáveis e espaço para proposta de intervenção fundamentada. Saúde mental de adolescentes no contexto do uso de telas cumpre os três.

O precedente: ENEM 2020

Em 2020, o INEP confirmou que o tema da redação do exame impresso seria "O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira". O contexto era a pandemia, que havia tornado o sofrimento psicológico mais visível e menos tabu. Em 2026, o recorte mudou — não é mais o estigma genérico das doenças mentais, mas o impacto específico e documentado das plataformas digitais na saúde psicológica de jovens.

O que a PeNSe 2024 revelou

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024 do IBGE ouviu mais de 118 mil adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas do Brasil. Os principais indicadores de saúde mental na faixa de 13 a 17 anos:

Indicador de saúde mentalDado aproximado (PeNSe 2024, IBGE)
Relatam tristeza frequenteCerca de 3 em cada 10
Sentem irritabilidade ou nervosismo constanteCerca de 4 em cada 10
Já sentiram que a vida não vale a penaCerca de 1 em cada 5
Foram ameaçados ou humilhados em redes sociaisCerca de 1 em cada 8

A desigualdade de gênero é marcante: entre as meninas, o indicador de tristeza frequente é mais que o dobro do registrado entre os meninos, segundo a mesma pesquisa. Os dados foram amplamente divulgados pela imprensa em março de 2026 e colocaram o tema no centro do debate público.

O ECA Digital entrou em vigor em março de 2026

A Lei 15.211/2025 (ECA Digital), publicada em setembro de 2025 e em vigor desde 17 de março de 2026, é o primeiro marco legal brasileiro dedicado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Os pontos mais úteis para a redação:

  • Contas de usuários com até 16 anos devem ser vinculadas à conta de um responsável legal
  • Plataformas devem eliminar ou limitar recursos que incentivam o uso compulsivo por menores, incluindo rolagem infinita e reprodução automática de vídeos
  • É proibida a coleta de dados de menores para fins de marketing ou direcionamento de conteúdo
  • Multas de até 10% do faturamento no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração

Citar uma lei em vigor desde março de 2026 sinaliza ao avaliador que você acompanha a conjuntura legislativa atual — isso pesa na Competência 2.


Os 3 ângulos de abordagem para sua redação

Não existe redação nota 1000 sem tese clara — e tese clara começa com ângulo definido. Três caminhos funcionam bem para este tema:

Ângulo 1 — O design das plataformas como causa estrutural

Tese: As plataformas digitais são projetadas para maximizar o tempo de uso por meio de algoritmos de recomendação e recursos como rolagem infinita — e esse design contribui diretamente para o agravamento de transtornos mentais em adolescentes, exigindo regulação estatal efetiva.

É o ângulo mais contemporâneo: permite usar o ECA Digital como exemplo de resposta legislativa e a PeNSe 2024 como diagnóstico do problema.

Ângulo 2 — A desigualdade no acesso ao tratamento

Tese: A crise de saúde mental entre adolescentes brasileiros é agravada pela insuficiência dos serviços públicos de psicologia e psiquiatria, que penaliza desproporcionalmente jovens de baixa renda sem acesso à rede privada.

Este ângulo ancora na Constituição Federal (art. 196 — saúde como direito de todos e dever do Estado) e funciona bem para candidatos com mais domínio de ciências humanas e sociais.

Ângulo 3 — O estigma que ainda impede adolescentes de buscar ajuda

Tese: Mesmo com maior visibilidade pública do debate sobre saúde mental, adolescentes brasileiros ainda enfrentam estigma ao revelar sintomas de depressão ou ansiedade — na família, na escola e nas próprias redes sociais —, o que atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de autolesão.

Este ângulo tem sinergia direta com o tema de 2020 e funciona especialmente bem para quem domina o campo das relações sociais e culturais.


Repertório sociocultural para a Competência 2

Byung-Chul Han — A Sociedade do Cansaço (2010)

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han descreve a sociedade contemporânea como uma cultura de desempenho ilimitado: ao contrário das sociedades do século XX, marcadas pela lógica da proibição, a lógica atual é a do pode fazer — metas, produtividade, comparação constante nas redes. Esse excesso de estímulos positivos gera o que Han chama de esgotamento psíquico: depressão, burnout e fragmentação da atenção. Para a redação, a aplicação é direta — as plataformas digitais, que recompensam interação constante, reproduzem essa lógica e têm efeitos documentados na saúde mental de jovens.

Byung-Chul Han — No Enxame: perspectivas do digital (2013)

Neste ensaio, Han analisa a comunicação digital e os grupos em rede. Sua tese: as redes sociais não constroem comunidade, mas enxames — multidões que se movem juntas sem solidariedade real. Para o tema de saúde mental, o argumento é revelador: o adolescente pode estar sempre conectado e se sentir profundamente só. Essa solidão digital está entre os mecanismos que ligam o uso intenso de telas aos transtornos de ansiedade e depressão.

Constituição Federal, art. 196

"A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação."

O fundamento jurídico mais sólido para qualquer proposta de intervenção que envolva políticas públicas de saúde mental. Use-o para argumentar que o Estado tem obrigação constitucional de agir diante dos dados da PeNSe 2024.

ECA, art. 4º

O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos relativos à saúde de crianças e adolescentes. Isso fundamenta propostas que distribuem responsabilidades entre escola, família e Estado — estrutura ideal para a Competência 5.

ECA Digital — Lei 15.211/2025

Em vigor desde março de 2026, é o repertório legislativo mais recente para este tema. Citá-lo demonstra ao avaliador domínio da legislação brasileira atual — e isso diferencia sua redação das que ficam em referências genéricas. Use-o como exemplo de avanço e, se quiser mais força argumentativa, acrescente que a lei existe mas a fiscalização ainda precisa ser reforçada.

PeNSe 2024 — IBGE

A pesquisa entrevistou mais de 118 mil estudantes de todo o Brasil e revelou um quadro preocupante de saúde mental na adolescência. Cite assim na redação: "Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024, do IBGE, cerca de 3 em cada 10 adolescentes brasileiros relatam tristeza frequente" — e conecte diretamente ao argumento. Dados do IBGE têm alto peso na Competência 2.


Três propostas de intervenção com os 5 elementos obrigatórios

A Competência 5 exige agente, ação, meio, finalidade e efeito — todos presentes e articulados na mesma proposta. Veja três modelos prontos:

Proposta 1 — Regulação das plataformas digitais

O Estado brasileiro, por meio de seus órgãos reguladores competentes, deve ampliar a fiscalização do cumprimento do ECA Digital nas plataformas que operam no país, com foco na eliminação de recursos que incentivam o uso compulsivo por menores — como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos —, a fim de reduzir o tempo de exposição não intencional de adolescentes e, com isso, os índices de ansiedade e depressão documentados pela PeNSe 2024 do IBGE.

Proposta 2 — Psicólogos nas escolas públicas

O Ministério da Educação, em parceria com estados e municípios, deve contratar psicólogos escolares para as redes públicas de ensino, utilizando recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), com o objetivo de garantir atendimento psicológico preventivo a estudantes que não têm acesso à rede privada, reduzindo o diagnóstico tardio de transtornos mentais e prevenindo agravamentos como a autolesão identificada na pesquisa do IBGE.

Proposta 3 — Letramento digital para famílias

Os municípios brasileiros devem promover oficinas de letramento digital para pais e responsáveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas escolas públicas, com linguagem acessível e foco no reconhecimento de sinais de uso compulsivo de telas, a fim de capacitar adultos a estabelecer limites saudáveis no ambiente doméstico e prevenir o desenvolvimento de transtornos de ansiedade e depressão na adolescência.


Saber o tema não basta: você precisa praticar antes de novembro

Chegar ao dia do ENEM com repertório decorado não garante nota alta. Candidatos que não praticam a escrita dissertativo-argumentativa perdem pontos principalmente na Competência 3 (coesão e progressão temática) e na Competência 5 (proposta de intervenção incompleta) — mesmo quando dominam o conteúdo. A única forma de corrigir isso antes de novembro é escrever redações e receber feedback estruturado por competência.

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Perguntas frequentes

Saúde mental já foi tema do ENEM antes?

Sim. Em 2020, o ENEM impresso teve como tema 'O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira', confirmado pelo INEP no dia da prova. O tema de 2026, se aparecer, provavelmente virá com um recorte diferente — como o impacto específico das redes sociais e do uso de telas na saúde psicológica de adolescentes, dado o contexto da PeNSe 2024 e da entrada em vigor do ECA Digital em março de 2026.

Como usar dados do IBGE na redação do ENEM?

Cite a fonte pelo nome completo: 'Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) 2024, do IBGE...' e integre o dado ao argumento, não como item de lista solta. Prefira formas arredondadas e fáceis de memorizar — 'cerca de 3 em cada 10 adolescentes' em vez de um percentual exato que você pode confundir sob pressão. A banca avalia a pertinência do dado para sustentar a tese, não a exatidão estatística.

O que é o ECA Digital e como usá-lo na redação?

O ECA Digital é o nome popular da Lei 15.211/2025, publicada em setembro de 2025 e em vigor desde 17 de março de 2026. É o primeiro marco legal brasileiro sobre proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais: proíbe rolagem infinita e reprodução automática de vídeos para menores, exige vinculação de contas de usuários até 16 anos a responsáveis e prevê multas de até R$ 50 milhões por infração. Na redação, use-o como exemplo de avanço legislativo — base para proposta de regulação — ou para argumentar que a fiscalização ainda precisa ser reforçada.

Posso citar Byung-Chul Han na redação do ENEM?

Sim, e é um dos repertórios mais valorizados para temas de tecnologia e saúde mental. O segredo é usar o conceito funcionalmente: 'O filósofo Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço (2010), demonstra que a cultura de hiperdesempenho das redes sociais gera esgotamento psíquico — padrão visível nos dados de saúde mental de adolescentes brasileiros.' Isso conecta o filósofo à tese, que é o que a Competência 2 avalia. Não basta citar o nome: aplique a ideia.

Como fazer uma proposta de intervenção sobre saúde mental de adolescentes?

A proposta precisa ter 5 elementos: agente (quem vai agir), ação (o que vai ser feito), meio (como será executado), finalidade (para que) e efeito (resultado esperado). Para este tema, três agentes funcionam bem: o Estado via regulação de plataformas digitais, o Ministério da Educação via psicólogos nas escolas públicas, e os municípios via letramento digital nas UBS. Evite propostas vagas como 'o governo deve investir em saúde mental' — sem meio e finalidade explícitos, a Competência 5 perde pontos.

Qual é a diferença entre 'saúde mental de adolescentes' e 'impacto das telas na saúde mental'?

No ENEM, depende do recorte do enunciado. O tema pode ser amplo ('saúde mental de adolescentes') ou específico ('impacto das redes sociais na saúde mental de jovens'). No primeiro, você escolhe qualquer ângulo, incluindo o digital. No segundo, o foco em tecnologia é obrigatório. Por isso, prepare repertório para ambas as versões: os dados da PeNSe 2024 e o ECA Digital funcionam em qualquer recorte, enquanto Byung-Chul Han e os algoritmos de recomendação são mais específicos para o ângulo digital.

Qual filósofo usar na redação do ENEM sobre saúde mental?

Byung-Chul Han é a escolha mais forte para temas de tecnologia e saúde mental — 'A Sociedade do Cansaço' (2010) e 'No Enxame' (2013) são os livros mais relevantes. Para o ângulo de desigualdade no acesso ao tratamento, Zygmunt Bauman (fragilidade das relações sociais) complementa bem. Para o ângulo do estigma, Michel Foucault ('História da Loucura') é referência clássica, mas exige que você domine o conceito antes de usar. O mais importante em qualquer caso: aplique a ideia ao argumento, não apenas cite o nome.

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