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ENEM 2024 — Questão 45: Língua Portuguesa

Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro terminavam com filas para selfies. A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde. Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara. Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística

Resolução comentada da questão 45 do ENEM 2024

Resolução

A questão aborda a variedade linguística presente nas falas de Evanildo Bechara, um renomado filólogo. A variedade linguística refere-se às diferentes formas de uso da língua que variam de acordo com fatores como contexto, região, cultura, geração e ocupação. No caso de Bechara, suas falas são marcadas por um uso técnico e específico, típico de sua área de atuação na filologia e na gramática. Ele utiliza termos que refletem seu conhecimento especializado, como "lexicologia" e "estrangeirismos", evidenciando que sua linguagem é influenciada por sua profissão.

A alternativa correta, portanto, é a que identifica essa característica como uma variedade ocupacional. Isso significa que a linguagem utilizada por Bechara está intimamente ligada à sua formação e experiência profissional, que exige um vocabulário técnico e um estilo de comunicação que pode não ser comum em outros contextos. Essa escolha de palavras e a forma de se expressar são típicas de alguém que atua na área da linguística, onde a precisão e a clareza são fundamentais.

Por que as outras alternativas estão erradas

(A) Esta alternativa está errada porque a linguagem de Bechara não é formal apenas por conta do contexto. Embora ele utilize um tom técnico, isso não se limita a uma exigência de formalidade, mas sim à sua especialização na área.

(B) A alternativa regional está incorreta, pois não há marcas linguísticas que indiquem a influência do local de nascimento de Bechara. Sua fala é mais influenciada por sua formação acadêmica do que por características regionais.

(C) A opção sociocultural é errada, pois, embora a formação de Bechara possa pressupor um uso mais elaborado da linguagem, a questão não se refere a um estilo rebuscado, mas sim ao uso de termos específicos de sua área de atuação.

(D) A alternativa geracional está equivocada, pois a linguagem de Bechara não é caracterizada por termos próprios de sua faixa etária. Em vez disso, sua fala reflete seu conhecimento técnico, que transcende a idade.

Conceito-chave para revisar

A questão explora a variedade linguística, que é a forma como a língua é utilizada de maneira diferente em diversos contextos, regiões, culturas, gerações e ocupações. Para aprofundar-se nesse tema, recomenda-se estudar sobre as diferentes variedades da língua e como elas se manifestam em contextos sociais e profissionais.

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