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ENEM 2024 — Questão 26: Língua Portuguesa

São Bernardo Graciliano Ramos — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode? — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que

Resolução comentada da questão 26 do ENEM 2024

Resolução

A questão apresentada explora um debate sobre a escrita e a sua relação com a fala cotidiana. No diálogo entre os personagens, Azevedo Gondim defende a ideia de que a literatura deve seguir um padrão elevado, distanciando-se da forma como as pessoas realmente falam. Essa perspectiva reflete um preciosismo linguístico, que valoriza a norma culta e a forma elaborada de expressão. Por outro lado, a resposta de seu interlocutor sugere que essa separação não é necessária, levantando a questão da coloquialidade na literatura.

A alternativa correta (D) destaca essa contraposição entre o uso de uma linguagem rebuscada e a linguagem mais simples e direta, que pode ser mais acessível e autêntica. O fragmento ilustra como a literatura pode e deve dialogar com a forma como as pessoas se comunicam no dia a dia, desafiando a ideia de que um artista deve se distanciar da sua própria fala. Assim, a discussão entre os personagens revela a tensão entre essas duas abordagens, essencial para entender a natureza da produção literária.

Por que as outras alternativas estão erradas

(A) Esta alternativa sugere que a discussão diferencia a produção artística do registro padrão da língua. No entanto, o foco do diálogo é a relação entre a fala e a escrita, não uma distinção entre arte e norma linguística.

(B) A alternativa afirma que a literatura se aproxima de dialetos sociais de pouco prestígio. Embora a coloquialidade seja mencionada, o texto não defende a valorização de dialetos, mas sim a crítica ao preciosismo da escrita.

(C) Esta alternativa defende a relação entre a fala e o estilo literário de um autor. Embora a fala seja um tema, o texto não argumenta que essa relação é positiva, mas sim que há um conflito entre as duas formas de expressão.

(D) Esta é a alternativa correta — ver acima.

(E) A alternativa sugere que o uso da norma culta está associado a desentendimentos pessoais. O texto não aborda questões de desentendimento, mas sim a diferença entre estilos de escrita e fala.

Conceito-chave para revisar

A questão testa o conceito de preciosismo linguístico versus coloquialidade na literatura. O debate sobre como a linguagem deve ser utilizada na produção artística é fundamental para entender a evolução da literatura e suas diversas formas de expressão. Para aprofundar, recomenda-se estudar obras que discutem a relação entre fala e escrita, como os ensaios de autores contemporâneos sobre linguagem e estilo.

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