Vídeo-aula~12 min

Os 5 erros mais comuns na redação do ENEM (e como evitar)

Vídeo-aula sobre os 5 erros que derrubam a nota da redação do ENEM em 2026: proposta vaga, cópia dos textos, fuga ao tema, conectivos repetidos e falta de repertório.

O que você vai aprender

  • Proposta de intervenção vaga (sem agente, ação e finalidade) é o erro mais comum e mais caro.
  • Copiar frases dos textos de apoio sem transformá-las em argumento próprio penaliza a Competência 2.
  • Usar o mesmo conectivo 'portanto' seis vezes na mesma redação derruba a Competência 4.
  • Fuga ao tema zera todas as 5 competências — leia o enunciado com atenção antes de começar.

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Capítulos

  1. 0:001. Introdução: por que a maioria perde pontos na redação
  2. 1:452. Erro 1 — Proposta de intervenção vaga ou incompleta
  3. 4:103. Erro 2 — Copiar frases dos textos de apoio
  4. 6:304. Erro 3 — Fuga ao tema (como acontece sem querer)
  5. 8:155. Erro 4 — Conectivos repetidos e coesão fraca
  6. 10:006. Erro 5 — Repertório vago e sem relação com o argumento

Transcrição completa

Introdução: por que a maioria perde pontos na redação

Você já reparou que a maioria das pessoas que estudam redação foca em aprender a escrever bem — mas a prova não é bem assim? O ENEM avalia cinco competências específicas, e cada uma tem armadilhas que derrubam candidatos mesmo com boa escrita. Nesta aula, vou te mostrar os 5 erros mais comuns — e como evitar cada um deles.

Antes de começar: a escala de avaliação vai de 0 a 200 em cada competência, totalizando 1000. Zero em qualquer competência não zera as outras, mas uma proposta em branco ou fuga ao tema pode zerar tudo. Então presta atenção.


Erro 1 — Proposta de intervenção vaga ou incompleta

Esse é, sem dúvida, o erro mais comum. A Competência 5 exige uma proposta de intervenção com cinco elementos: agente, ação, meio/modo, finalidade e efeito esperado. A maioria das redações traz algo assim:

"Portanto, é necessário que o governo tome medidas para resolver o problema."

Isso é uma frase vaga. Não tem agente específico, não tem ação concreta, não tem meio e não tem efeito. A banca lê isso e dá no máximo 80 pontos na C5 — e pode dar 40.

Como corrigir: substitua "o governo" por uma instituição real. Substitua "tome medidas" por uma ação concreta. Adicione "por meio de" para indicar o mecanismo. Adicione "a fim de" ou "para que" para a finalidade. E feche com o efeito esperado.

Exemplo corrigido:

"Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com secretarias municipais, ampliar o Programa de Agentes Comunitários de Saúde em territórios quilombolas — por meio de concursos públicos regionalizados e capacitação em saúde étnico-racial —, a fim de reduzir a mortalidade evitável nessas comunidades, garantindo acesso equitativo ao sistema de saúde."

Você vê a diferença? Agente: Ministério da Saúde. Ação: ampliar o programa. Meio: concursos e capacitação. Finalidade: reduzir mortalidade. Efeito: acesso equitativo. São cinco itens, e a banca verifica cada um deles.


Erro 2 — Copiar frases dos textos de apoio

Todo ENEM traz textos de apoio no enunciado da redação. Eles servem para contextualizar o tema — não para você copiar na sua redação. Isso é o que a banca chama de "aproveitamento de repertório sem elaboração própria", e penaliza a Competência 2.

Por que é problemático? Porque a C2 avalia se você consegue usar repertório sociocultural para argumentar. Se você copia uma frase do texto de apoio, não está demonstrando esse repertório — está apenas reproduzindo o que já foi dado.

Como usar os textos de apoio corretamente:

Use as ideias, não as palavras. Se o texto diz "as comunidades tradicionais enfrentam dificuldades de acesso à terra", você pode escrever: "conforme evidenciam dados recentes, grupos como quilombolas e indígenas enfrentam barreiras históricas de regularização fundiária — processo que, segundo o INCRA, envolve procedimentos que duram em média mais de 10 anos."

Viu? Você transformou a ideia em argumento próprio, com dado específico.


Erro 3 — Fuga ao tema (como acontece sem querer)

Fuga ao tema é o pior dos erros: zero em todas as competências. O mais preocupante é que muitos candidatos fogem ao tema sem perceber.

Como isso acontece? O tema do ENEM sempre tem um recorte específico. Em 2024, o tema foi "Os desafios para a valorização das comunidades e povos tradicionais no Brasil". Candidatos que escreveram sobre desmatamento em geral, ou sobre pobreza de forma ampla, sem conectar com povos tradicionais, sofreram penalização por fuga parcial ou total.

Regra prática: identifique as palavras-chave do tema no enunciado e certifique-se de que elas aparecem na sua tese e nos seus argumentos. Para o tema de 2024, as palavras-chave eram "valorização", "comunidades e povos tradicionais", e "Brasil". Sua introdução deve conter todas elas — não como lista, mas como parte natural do argumento.


Erro 4 — Conectivos repetidos e coesão fraca

A Competência 4 avalia os mecanismos de coesão — os recursos linguísticos que criam fluidez entre frases e parágrafos. Um dos erros mais visíveis: usar o mesmo conectivo repetidamente.

Exemplos de repetição que penalizam:

  • "Portanto" três vezes na mesma redação.
  • "Além disso, além disso, além disso" em três parágrafos consecutivos.
  • "Dessa forma" no começo de cada conclusão parcial.

A banca tem treinamento específico para identificar isso. E quando vê repetição sistemática, isso sinaliza limitação no repertório linguístico.

Como diversificar:

  • Contraste: "no entanto", "entretanto", "contudo", "todavia", "porém".
  • Adição: "além disso", "outrossim", "ademais", "também".
  • Consequência: "portanto", "logo", "assim", "por isso", "dessa forma".
  • Causa: "pois", "porque", "visto que", "já que", "uma vez que".

Recomendo criar uma lista com pelo menos 3 opções para cada tipo de conectivo e memorizar antes da prova.


Erro 5 — Repertório vago e sem relação com o argumento

O repertório sociocultural (Competência 2) é frequentemente mal usado. O erro mais comum: citar um filósofo ou um dado sem conectar com o argumento.

Fraco: "Como dizia o filósofo Aristóteles, o homem é um animal político."

Essa frase aparece em centenas de redações. Ela não prova nada por si só — e se não estiver conectada ao argumento do parágrafo, o avaliador vai perceber que é decorativa.

Forte: "O filósofo Aristóteles definiu o ser humano como 'animal político', reconhecendo que a vida em coletividade é uma necessidade fundamental. Essa perspectiva torna ainda mais grave o isolamento dos povos tradicionais do Vale do Javari, que, segundo relatório da FUNAI de 2023, enfrentam pressões de garimpo ilegal que fragmentam suas estruturas comunitárias."

A diferença está na ponte: você usa Aristóteles para chegar nos povos do Vale do Javari — não para exibir erudição.


Conclusão

Revise sua próxima redação com esta lista:

  1. Minha proposta tem agente, ação, meio, finalidade e efeito?
  2. Copiei frases dos textos de apoio ou transformei as ideias?
  3. Minha tese responde diretamente ao recorte do tema?
  4. Usei conectivos variados entre parágrafos?
  5. Cada repertório está conectado a um argumento concreto?

Se a resposta for sim para todas, você está no caminho certo.

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