ENEM 2024 — Questão 62: Ciências Humanas
Resposta: alternativa D
epistêmica, que prejudica as trocas informacionais.
O conceito de preconceito de identidade refere-se à desvalorização das vozes e experiências de indivíduos pertencentes a grupos sociais marginalizados, como aqueles definidos por raça ou gênero.
Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte. Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça
Resolução comentada da questão 62 do ENEM 2024
Resolução
O conceito de preconceito de identidade refere-se à desvalorização das vozes e experiências de indivíduos pertencentes a grupos sociais marginalizados, como aqueles definidos por raça ou gênero. Esse preconceito pode levar à injustiça epistêmica, que se caracteriza pela deslegitimação das contribuições e testemunhos de certos grupos. Quando um grupo dominante não reconhece a validade das experiências de outro, cria-se um ambiente onde as trocas de informações e conhecimentos são prejudicadas. Assim, a credibilidade das declarações de indivíduos de grupos oprimidos é minada, resultando em uma comunicação desigual e injusta.
A alternativa (D) é a correta, pois o texto discute como o preconceito de identidade afeta a credibilidade das falas de determinados grupos, levando a uma injustiça que se manifesta nas relações de conhecimento e informação. Essa injustiça epistêmica impede que as vozes de grupos marginalizados sejam ouvidas e respeitadas, limitando a diversidade de perspectivas e a troca de saberes.
Por que as outras alternativas estão erradas
(A) A alternativa (A) fala sobre uma injustiça estética, relacionada a padrões corporais. Embora o preconceito possa afetar a percepção estética, a questão aborda especificamente a credibilidade e a troca de informações, não a normatização de padrões de beleza.
(B) A alternativa (B) menciona uma injustiça sensorial, que privilegia habilidades visuais. Essa opção não se relaciona com a ideia central do texto, que é sobre a desvalorização das falas de grupos marginalizados, e não sobre a percepção sensorial.
(C) A alternativa (C) refere-se a uma injustiça afetiva, que impede expressões emocionais. Embora o preconceito possa impactar a expressão emocional, a questão se concentra na credibilidade das informações e testemunhos, não nas emoções.
(E) A alternativa (E) trata de uma injustiça econômica, que perpetua desigualdades materiais. Embora essa questão seja relevante em discussões sobre preconceito, o texto enfatiza a injustiça epistêmica, que se relaciona diretamente com a troca de informações e a credibilidade das falas.
Conceito-chave para revisar
A injustiça epistêmica é um conceito que aborda como preconceitos sociais podem deslegitimar as vozes de grupos marginalizados, afetando a troca de informações e o reconhecimento de suas experiências. Para aprofundar-se nesse tema, recomenda-se estudar obras sobre epistemologia e justiça social, que exploram como o conhecimento é construído e validado em contextos de desigualdade.
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