LinguagensLíngua Portuguesa

ENEM 2024 — Questão 28: Língua Portuguesa

Esaú e Jacó Machado de Assis Capítulo 48/ Terpsícore Ao contrário do que ficou dito atrás, Flora não se aborreceu na ilha. Conjeturei mal, emendo-me a tempo. Podia aborrecer-se pelas razões que lá ficam, e ainda outras que poupei ao leitor apressado; mas, em verdade, passou bem a noite. A novidade da festa, a vizinhança do mar, os navios perdidos na sombra, a cidade defronte com os seus lampiões de gás, embaixo e em cima, na praia e nos outeiros, eis aí aspectos novos que a encantaram durante aquelas horas rápidas. Não lhe faltavam pares, nem conversação, nem alegria alheia e própria. Toda ela compartia da felicidade dos outros. Via, ouvia, sorria, esquecia-se do resto para se meter consigo. Também invejava a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia, com o absoluto poder de despedir ministros e damas, visitas e requerentes, e ficar só, no mais recôndito do paço, fartando-se de contemplação ou de música. Era assim que Flora definia o ofício de governar. Tais ideias passavam e tornavam. De uma vez alguém lhe disse, como para lhe dar força: “Toda alma livre é imperatriz!”. Convidada para o último baile do Império, na Ilha Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, Flora devaneia sobre aspectos daquele contexto, no qual o narrador ironiza a

Resolução comentada da questão 28 do ENEM 2024

Resolução

A questão aborda a obra "Esaú e Jacó", de Machado de Assis, e explora a percepção da personagem Flora sobre o contexto político e social do Brasil no final do Império. O conceito de alienação é central para entender a relação da elite com a realidade que a cerca. Flora, ao se encantar com a festa e os aspectos superficiais do evento, demonstra uma desconexão em relação ao que realmente está em jogo: o fim da monarquia. Essa alienação é uma crítica à forma como a elite se distrai com prazeres e frivolidades, ignorando as transformações sociais e políticas que ocorrem ao seu redor.

A alternativa (B) destaca essa alienação da elite, pois Flora se mostra mais interessada em sua própria felicidade e em devaneios sobre o poder do que nas consequências da queda do regime monárquico. O trecho sugere que, apesar da iminente mudança, a elite continua a viver em um mundo de ilusões e prazeres, sem perceber a gravidade da situação. Essa crítica é uma característica marcante do estilo de Machado de Assis, que frequentemente expõe a hipocrisia e a superficialidade da sociedade de sua época.

Por que as outras alternativas estão erradas

(A) Esta alternativa sugere uma promessa de esperança com o futuro regime, mas o texto não apresenta Flora como alguém esperançosa em relação a um novo governo. Ao contrário, ela parece alheia às mudanças, focando em suas próprias fantasias.

(B) Esta é a alternativa correta — ver acima.

(C) A alternativa menciona a perspectiva da contemplação distanciada da capital, mas o texto não enfatiza um distanciamento físico ou emocional em relação à capital. Flora está presente na festa e se envolve com o ambiente ao seu redor, sem uma crítica direta à distância da capital.

(D) A alternativa fala sobre animosidade entre a população e a nobreza, mas o texto não apresenta essa relação de forma explícita. Flora parece mais preocupada com sua própria felicidade do que com qualquer conflito social.

(E) A alternativa menciona a fantasia de amor e de casamento da mulher burguesa, mas o foco do texto está na alienação política e social, e não em questões românticas. Flora está mais interessada em contemplar o poder do que em fantasias amorosas.

Conceito-chave para revisar

A questão testa o conceito de alienação social e política, especialmente no contexto da literatura brasileira do século XIX. Para aprofundar-se, é recomendável estudar a obra de Machado de Assis e suas críticas à sociedade da época, além de explorar o conceito de alienação em contextos literários e sociais.

Quer praticar com explicações personalizadas em IA?

Nossa IA explica cada questão no seu nível e adapta o estudo ao que você mais precisa melhorar.

Comece grátis →

Leia também