ENEM 2023 — Questão 21: Língua Portuguesa
Resposta: alternativa A
culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.
A questão aborda a narrativa de José J. Veiga, que retrata um ambiente de controle e opressão, refletindo a realidade política da década de 1970 no Brasil.
Sombras de reis barbudos
José J. Veiga Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviulá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango. Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo
Resolução comentada da questão 21 do ENEM 2023
Resolução
A questão aborda a narrativa de José J. Veiga, que retrata um ambiente de controle e opressão, refletindo a realidade política da década de 1970 no Brasil. O conceito de culto ao medo é central para entender como a Companhia impõe suas regras de maneira autoritária. As proibições absurdas, como não poder cuspir para cima ou carregar água em jacá, revelam uma tentativa de controlar até os menores detalhes da vida cotidiana. Isso gera um clima de insegurança e medo, onde as pessoas se sentem vigiadas e punidas por ações que, à primeira vista, parecem inofensivas.
O menino narrador observa essas proibições e a rigidez da Companhia, que não se contenta apenas com a imposição de regras, mas também utiliza punições severas para garantir a obediência. A metáfora dos cacos de garrafa nos muros simboliza a violência e a opressão que permeiam o cotidiano, reforçando a ideia de que qualquer desvio das normas pode resultar em consequências graves. Assim, o texto ilustra um ambiente em que o medo se torna uma ferramenta de controle social, refletindo a crítica à repressão política da época.
Por que as outras alternativas estão erradas
(A) Esta é a alternativa correta — ver acima.
(B) A alternativa (B) está errada porque, embora haja um clima de incerteza e medo, a questão não se concentra na dúvida sobre a veracidade das informações, mas sim na imposição de regras e no controle social.
(C) A alternativa (C) está errada, pois o texto não apresenta um ambiente de sonho, mas sim uma realidade perturbadora e opressiva, onde a liberdade é restringida por proibições absurdas.
(D) A alternativa (D) está errada, uma vez que o texto não menciona incentivo ao desenvolvimento econômico ou à iniciativa privada. O foco está na repressão e no controle social, não em aspectos econômicos.
(E) A alternativa (E) está errada porque, embora as crianças sejam afetadas pelas proibições, o texto não sugere um isolamento político ou social delas. O foco é mais amplo, abordando a opressão que atinge toda a sociedade.
Conceito-chave para revisar
A questão explora o conceito de culto ao medo e como ele se manifesta em contextos sociais e políticos. Para aprofundar-se nesse tema, é interessante estudar a literatura brasileira da década de 1970, que frequentemente aborda a repressão e a crítica social, refletindo as tensões políticas da época.
Quer praticar com explicações personalizadas em IA?
Nossa IA explica cada questão no seu nível e adapta o estudo ao que você mais precisa melhorar.