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ENEM 2022 — Questão 25: Língua Portuguesa

Papos (fragmento) Luis Fernando Verissimo —Me disseram... —Disseram-me. —Hein? —O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”. —Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”? —O quê? —Digo-te que você... —O “te” e o “você” não combinam. —Lhe digo? —Também não. O que você ia me dizer? —Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. —Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu... —O quê? —O mato. —Que mato? —Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem? Pois esqueça-o e para-te. Pronome no lugar certo é elitismo! —Se você prefere falar errado... —Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me? Nesse texto, o uso da norma-padrão defendido por um dos personagens torna-se inadequado em razão do(a)

Resolução comentada da questão 25 do ENEM 2022

Resolução

A questão aborda o uso da norma-padrão da língua portuguesa em um diálogo entre dois personagens. O conceito central aqui é que a adequação linguística deve considerar o contexto de comunicação. No fragmento, um dos personagens tenta impor a norma-padrão, enquanto o outro defende seu jeito de falar, que é mais informal e próximo da fala cotidiana. Essa situação ilustra que a linguagem não é apenas uma questão de regras gramaticais, mas também de como as pessoas se comunicam em diferentes contextos sociais e culturais.

O diálogo revela que a insistência em seguir a norma-padrão se torna inadequada porque ignora o ambiente informal da conversa. O personagem que defende a norma-padrão se mostra pedante e desconsidera a forma como o outro se expressa, o que gera uma tensão na comunicação. Assim, a alternativa correta é a (B), pois o contexto de comunicação é o que realmente determina a adequação do uso da língua.

Por que as outras alternativas estão erradas

(A) A falta de compreensão causada pelo choque entre gerações não é o foco principal do diálogo. Embora haja uma diferença de estilo entre os personagens, o problema central é a imposição da norma-padrão em um contexto informal, e não apenas a diferença geracional.

(B) Esta é a alternativa correta — ver acima.

(C) O grau de polidez distinto entre os interlocutores não é o que torna o uso da norma-padrão inadequado. O diálogo é mais sobre a forma de se expressar e a aceitação de diferentes modos de fala do que sobre a polidez em si.

(D) A diferença de escolaridade entre os falantes pode influenciar a forma como se comunicam, mas não é o principal motivo pelo qual a norma-padrão se torna inadequada neste contexto. A questão é mais sobre a escolha de palavras e a informalidade do diálogo.

(E) O nível social dos participantes pode impactar a comunicação, mas, neste caso, o que realmente importa é o contexto em que a conversa ocorre. A norma-padrão é desconsiderada por ser inadequada ao ambiente informal, e não necessariamente por questões de classe social.

Conceito-chave para revisar

A questão testa o conceito de adequação linguística, que se refere à capacidade de usar a língua de forma apropriada ao contexto de comunicação. Para aprofundar-se, é interessante estudar sobre variações linguísticas e a relação entre linguagem e contexto social, temas que são frequentemente abordados em aulas de Língua Portuguesa e Literatura.

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