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ENEM 2022 — Questão 10: Língua Portuguesa

Ser cronista

Clarice Lispector

Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no assunto. Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances e contos. E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo. Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para o jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo, e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer, para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado. Vou dizer a verdade: não estou contente. No texto, ao refletir sobre a atividade de cronista, a autora questiona características do gênero crônica, como

Resolução comentada da questão 10 do ENEM 2022

Resolução

A questão aborda a reflexão de Clarice Lispector sobre o gênero crônica e suas características. A autora destaca que, ao escrever para um jornal, sua abordagem se transforma, levando-a a questionar se a crônica deve ser um relato leve e divertido ou se deve manter uma profundidade que busca uma comunicação íntima com o leitor. A brevidade é uma característica marcante da crônica, que muitas vezes se propõe a tratar de temas de forma concisa e direta, permitindo uma leitura rápida e acessível. Assim, a alternativa (C) é a que melhor reflete essa característica do gênero.

Lispector menciona que, ao escrever para um jornal, sente que seu estilo se torna mais leve e que a expectativa do leitor influencia sua escrita. Essa mudança sugere que a crônica, embora possa abordar temas profundos, frequentemente opta por uma abordagem mais breve e menos elaborada, em contraste com os romances e contos, que costumam ter um desenvolvimento mais extenso e detalhado.

Por que as outras alternativas estão erradas

(A) A relação distanciada entre os interlocutores não é uma característica da crônica. Pelo contrário, a crônica tende a estabelecer uma conexão mais próxima entre o autor e o leitor, buscando uma comunicação mais direta e pessoal.

(B) A articulação de vários núcleos narrativos é mais comum em romances e contos, onde há espaço para desenvolver múltiplas tramas. Na crônica, a narrativa é geralmente mais linear e focada em um único tema ou situação.

(C) Esta é a alternativa correta — ver acima.

(D) A descrição minuciosa dos personagens é característica de gêneros como o conto e o romance, onde há tempo e espaço para desenvolver os personagens de forma detalhada. Na crônica, a descrição tende a ser mais superficial, focando mais na ideia ou na reflexão do que em personagens complexos.

(E) O público leitor exclusivo não se aplica à crônica, que é escrita para um público amplo e diversificado. A crônica é acessível e busca alcançar leitores de diferentes perfis, ao contrário de textos que podem ser direcionados a um público específico.

Conceito-chave para revisar

A questão explora o conceito de crônica, um gênero literário que se caracteriza pela brevidade e pela informalidade, permitindo ao autor expressar reflexões pessoais e observações sobre o cotidiano. Para aprofundar-se nesse tema, é interessante ler crônicas de diversos autores e analisar como cada um aborda suas experiências e pensamentos de forma concisa.

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